Dr. Paulo Pittelli - Cirurgião do Aparelho Digestivo

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Bicarbonato de sódio funciona?

Bicarbonato de sódio é uma substância bastante usada em casa, sem prescrição médica e para os mais variados propósitos. Geralmente tomamos bicarbonato para combater azia, má digestão e sensação de estufamento. Mas será que realmente ele funciona e existiria algum problema no seu consumo frequente?

A resposta é SIM para essas duas perguntas. O bicarbonato de sódio é um antiácido e como tal, serve para neutralizar o efeito do excesso de ácido no estômago e isso realmente pode ser o responsável por aquelas queixas de que falamos acima.

 

Os mais comuns

Os antiácidos mais comuns são os que contêm sais de magnésio, de alumínio, bicarbonato de sódio e carbonato de cálcio.

São medicamentos baratos, que se adquire em qualquer lugar, geralmente tem seu efeito rapidamente percebido pelo paciente e, por tudo isso, são muito consumidos, mas eles podem causar efeitos indesejados quando usados prolongadamente.

 

Efeitos colaterais

O problema é que há antiácidos que produzem efeitos também fora do estômago e por esse motivo são chamados de sistêmicos. Outros agem apenas localmente, reagindo com o ácido clorídrico sem serem absorvidos pelo organismo, sendo chamados de não sistêmicos.

O bicarbonato de sódio tem um efeito rápido e fugaz, mas é um antiácido com efeito sistêmico e por isso não deve ser consumido por um longo prazo.

Seus efeitos colaterais mais comuns são o efeito rebote, causado pelo aumento da secreção de gastrina que faz com que mais ácido seja secretado pelas células do estômago, a alcalose sistêmica e o aumento da pressão arterial, pelo excesso de sódio.

Os antiácidos não sistêmicos têm ação mais lenta e prolongada e como agem apenas localmente, produzem menos efeitos colaterais, mas ainda assim, devem ser consumidos com alguma prudência, veja:

Os mais comuns dessa classe são os que contêm sais de magnésio e alumínio ou uma associação deles.

Há a preocupação no consumo excessivo dos sais de alumínio por causa do risco de doenças degenerativas do sistema nervoso como demência e doença de Alzheimer.

Antiácidos contendo magnésio podem causar diarreia, vômitos e hipermagnesemia, o que pode ser um problema em pacientes com insuficiência renal.

Já o carbonato de cálcio pode causar constipação, aumento dos gases, cálculos renais e hipercalcemia, que é o aumento do cálcio no organismo.

 

Mas o verdadeiro motivo deste post é que eu quero chamar atenção para o seguinte: é fundamental entender o que está acontecendo com o seu organismo e o porquê dessa necessidade de consumir antiácidos com tanta frequência. Será que está tudo bem com o seu estômago?

 

Fique atento!

É preciso ficar claro que os antiácidos não são os medicamentos de escolha para tratamento de doenças como gastrite, úlcera gástrica, úlcera duodenal, doença do refluxo gastroesofágico e também não são usados para a erradicação da bactéria Helicobacter pylori.

Em muitas dessas patologias, até podemos usar os antiácidos associados a outras substâncias, por causa da sua capacidade de aliviar os sintomas rapidamente, mas depois do advento dos chamados inibidores de bombas de prótons (IBP), que são o omeprazol, pantoprazol, lansoprazol e esomeprazol, entre outros, a escolha dos antiácidos como terapêutica exclusiva, definitivamente não existe mais.

 

Se você é daqueles que tomam omeprazol irregularmente e por conta própria, nunca fez uma endoscopia e não está fazendo acompanhamento médico, sugiro a leitura deste post.

 

Portanto, se você está usando antiácidos ou IBP com muita frequência, tem que ficar atento a duas coisas: primeiro, aos efeitos colaterais do seu uso constante e em segundo, precisa ficar claro que você pode, eventualmente, ter uma doença que está sendo mascarada com essa atitude e que não estaria sendo adequadamente tratada. Pense nisso!

Por isso procure sempre um gastroenterologista para saber exatamente o que fazer, não fique se medicando em casa sem saber o que está fazendo e sem uma investigação adequada das suas queixas, principalmente se você fuma, consome álcool com frequência, tem mais de 50 anos e antecedente de câncer gástrico na sua família.

 

Quer saber mais sobre gastrite? Leia aqui e aqui e visite sempre o nosso blog!